Mar 29, 2012

Segmento


E mais uma vez aquele olhar deslocado, que olha para o lado
Subverte palavras invertidas, saindo daquela boca que intimida
Seus traços cômicos detalhados, como se fossem plásticos rebuscados
Descrevem sinceras investidas, na direção que não vai ser ouvida

De um quase sair acústico, os números e letras não dormem
Por serem de um penar rústico, apenas feridas entopem

A certa que duvidosa, exprimem a tez invejosa
Suprimem a faca nervosa, respondem em verso e prosa
Com almas mais que leprosas, inibem aquilo que é rosa
E a última voz rancorosa define a lábia chuvosa.

Mar 26, 2012

NAVAJOS


Destreza desponta em áreas de sua foice,
Retorce as entranhas, expele aromas doces.

Esquece performática as pontas de um caule denso,
Informa de forma estática os dias de sol intenso.
Tão denso enquanto errática, os pontos de equações.
Sozinho o ninho é quente, um laço fechado e tenso.

Só à noite os dias passam, regados à cor do som,
Seguros de armas táticas, repelem a meio tom.
Apagam as cores lácticas, espirram fora do tom.

Respirações e afagos, sentidos em apagãos. Suspiros em alemão,
Empórios e sucos najos, os destros são semissons,
Destacam os meios sujos e terminan um sonho bom.

Mar 25, 2012

Oposto do Inverso...

Os fantasmas de sentidos, sentimentos aquecidos, retratos de espelho sem reflexo. Descaso social entretetido entrementes...
É o que vejo no seu olhar intenso e vazio, recheado de chocolate com verdades.
Justiça desfeita, contrasenso, contracultura contraditória... cosmo!
Sementes sadias, guiando aquilo que ainda não pode ser, treinando o desprender de insanos sonhos!
Você entra pela tagente e encobre meus olhos opacos, resume-se em pequenos ruídos disfarçados de palavras, segmenta oceanos dos meus pés feridos...
E só quer ir embora no final.




"A existência de uma mentira é uma mentira. É um mimetismo que alimentamos em nós mesmos pois nos ajuda a crescer. Vírus são versões superiores de proteínas...
Nossa geração é muito antiga para dar qualquer uso às mentiras.
Entendem o que estou dizendo?"
(Futura HQ de Ales Kot)

Mar 11, 2012

De....


Quando as pequenas partes de pequenas partes cessam sua infinitude...
Quando os pesos aleatórios ressurgem em causas fúteis...
As sutilezas cruas de respostas burras,
Falam aquilo que sua mente chama de

Mar 7, 2012

2:33h


Nas entranhas que subiam-lhe a cabeça, desfez a noz que despia castanhas. Apenas um pretexto em prosa que protelava o assunto que nada queria dizer, mas dizia. Cinco páginas depois, fechou os olhos para continuar a ler, palvaras soltas em papel de pão, linhas tortas em cadernos caligráficos e um prato vazio que teimava em lhe dizer as horas erradas... eram suas companhias mudas numa sala escura. As orelhas formadas no papel escutavam aquele vazio intermitente, causando náuseas e alívio a todos que passavam na ponte esquerda às 2:33h.
O incrível dilema de pensar sacava-lhe o rosto como um vinho de amanhã; fios de cabelo e lentes vermelhas jantavam um sentimento púrpura, o mesmo que irradiava as águas quentes em pedras que aqueciam os joelhos.
E então aquelas sete pessoas subcutâneas dançavam cosmicamente enfileiradas em suas rimas de limão, e ele, absorto em seu futuro decadente, dispensava pensamentos em flechadas de ar. Num só momento de discórdia íntima, virou-se pra si mesmo e desligou-se por completo deixando pra trás o que estava bem à sua frente. E uma lembrança não acontecida caiu do pé...

Nov 23, 2011

ERA UMA VEZ NA FLORESTA



Se você é daqueles que acreditam em uma invasão alienígena, seres que gostariam de destruir nosso planeta, então, você deveria conhecer a FLORESTA. Não aquela Floresta da Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau, dos Contos de Fadas ou mesmo do Senhor dos Anéis com árvores falantes e elfos. Mas sim, outra Floresta, às vezes, tão lúdica quanto as anteriores. Falo do bairro Floresta, em Belo Horizonte, capital mineira. Ali existe uma civilização secreta que ameaça a vida em nosso planeta. Os estranhos seres que compõem este bizarro grupo possuem características próprias; são todos um pouco parecidos, baixos, de pele enrugada, muitas vezes com os pelos do corpo em tons cinzentos ou mesmo totalmente brancos. A maioria se utiliza de certos guias, seres bem menores, quadrúpedes, que emitem sons estranhos, talvez uma nova língua (com palavras como: “auh, auh”) diferentemente de seus mestres invasores, que já aprenderam nosso idioma e nossos costumes. E o pior, esta raça vê na utilização das fezes destes pequenos seres quadrúpedes uma espécie de delimitação de território.

Eles já ocupam boa porcentagem do bairro e temo que o objetivo deles é destruir o mundo! Destruindo nosso meio ambiente. Um de seus estranhos e terríveis hábitos é lavar as calçadas utilizando uma mangueira de modo a esterilizá-las, com milhares de litros de água, eles lavam cada centímetro das ruas. Paradoxalmente, ao mesmo tempo seus monstruosos ajudantes quadrúpedes sujam as mesmas, defecando aleatoriamente de modo que as pessoas comuns (os seres humanos) sejam expostas àquelas substâncias de mal cheiro.

Eles estão lá fora, nos espreitando, falando de um passado distante, talvez de seu planeta, parecem ter mais de 200 anos e se proliferam a cada ano. Se você pode ajudar a destruir estes seres malignos que irão destruir nosso futuro acabando com a água e infectando-o com substâncias a base de uréia e dejetos. Faça algo, rápido!

Oct 25, 2011

Armazém....

Abriga o passo torto e verde que me denuncia ao errar, elétrico como si só, repentinamente descreve em luz os escritos noturnos, ganhando em palmas aquilo que não vê.

Era ele, ao pensar naquela pluma em chamas, sem bocas nem gritos, sem roupas nem ritos... apenas o efêmero fringir das fagulhas, descalças, restolhas em errantes nus.

Seu nome era pó em cima da mesa, rabiscado por dedos delgados. Sozinho em vozes intermitentes, ganhando o primeiro lugar vazio. Sonhou mais uma vez  e contou a um desconhecido, perdendo um quase palíndromo surreal.

Na fúria de um branco em seda, nas forcas que falhavam secas, nas cinzas de um rosto esguio. Era o olhar de lado, somente no semblante ígneo, dava o ar de suas traças de livros. Olhando para esquerda.

Por fim, sozinho, voltou para casa, e retornou àquilo que se chamava vida.

Sanz, o mago mendigo

A hastes que destronam revelam a alquimia
Desmentem as rochas fúnebres
Inserem por dinastia
As causas se tornam lebres
Em gosto de anistia
Um dia em noites nobres
Revelam a simpatia.

Assisto o devanear, insisto em manejar, desisto de não olhar as alças que rasgam finas
Em torno do que há de olhar, sem fugas a liberar, à massa que afastar suas vis medicinas...

Jul 19, 2011

A História de Pedro Rocha


Pedro Rocha era uma pedra que vivia sozinha em seu trailer recheado de presunto e queijo (sem salada, por favor), sua maior diversão era tecer teias terminadas em "T", mas sempre lhe era negado o direito à pensão alimentícia, pois seu diagnóstico era câncer no útero, apesar de sua fisiologia de rocha vulcânica não constar nenhum útero... mas isso eram apenas desculpas... seus olhos esbugalhados refletiam a luz apagada de uma pedra da Renascença e, mesmo assim, ele insistia em encontrar seu pescoço em vales de algas verdes inebriantes.

O que Rocha - A Pedra- não sabia... era nadar! Sempre afundou nos bueiros da vida, remou contra a maré dos esgotos e se formou em torneiro mecânico. Mas isso não bastava, faltava a ele encontrar a Areia pro seu caminhãozinho que formaria um belo concreto no futuro.

Dessa forma, o impossível aconteceu, sete leões albinos se encontraram no mesmo restaurante japonês e pediram em castelhano o mesmo prato de feijão.
(Você se pergunta, "o que isso tem a ver com Pedro Rocha?"... não interessa, o que interessa é que "O IMPOSSÍVEL ACONTECEU!"... e isso é impossível, então não pergunte, pois a história é minha... e de P. Rocha)

Na calçada da rua debaixo, um menino de sete anos com cabeça de martelo, tropeça e cai de cabeça em P.R.!



É o fim!

Mar 18, 2011

Lúmina face ot Bizuris

Com as luzes apagadas, eu olho pro escuro e digo palavras que nunca vão existir, sobre pessoas que passaram correndo a passos curtos por minha mente.
A parte secreta sobre mim que nem eu mesmo reconheço, a angústia feliz que traz e leva, rouba e revolta sem mesmo sair do lugar que estou agora, sentado, deitado, em pé de frente para minhas costas... esperando o nada.

Nem mesmo você, nem mesmo todos erram tanto em voltas sistemáticas de amizades e inimigos, erros de escola e cores invisíveis que me chamam de talento.

Passagens e pessoas, trilhos repartidos que vagam. A página de um livro que não vira, mas é apagada em litros de atraso.

Não é o mesmo, nem será... Há tanto aqui que não aparece, translúcido em minha visão particular.
Você não entende... o tempo vocacional, o silêncio fugaz, as mesmas repetições diferentes.

E assim, continua...

passos curtos chamam de talento parte secreta voltas sistemáticas não aparece litros de atraso mesmo reconheço vocacional o silêncio não entende amizades e inimigos cores invisíveis digo palavras tanto aqui que estou agora

E assim, continua...



"MAIS UMA VEZ NA HORA CERTA A FAZER, EU ESQUECI...EU APENAS ESQUECI. ACENDI AS LUZES, MAS APENAS ESQUECI..."